Por estarmos nesta altura do ano, vamos falar do risco aumentado de acidentes vasculares cerebrais (AVC) durante o Inverno devido ao frio.
Apesar de vulgarmente serem conhecidos por “derrames cerebrais”, a verdade é que em 90% dos casos, não há derrame de sangue, mas sim, entupimento de uma artéria, o que impossibilita a passagem do sangue para a zona do cérebro que era alimentada por essa artéria – essa área fica "morta".
Se isto se passar em pequenininhas artérias, chamadas arteríolas, podem ir sucedendo mini-acidentes-vasculares, silenciosos, isto é, sem queixas físicas imediatas, mas que vão matando inúmeras áreas no cérebro e que, com o passar do tempo, podem condicionar problemas de memória, concentração, raciocínio, tomada de decisões, alterações do humor, alterações da personalidade, podendo ir até à demência.
Se o AVC for originado numa artéria maior, pode condicionar paralisia, afasia (dificuldade ou impossibilidade de falar) e dependências físicas de vária ordem, podendo impossibilitar a vida quotidiana normal e a capacidade para o trabalho; ou mesmo levar à morte imediata.
Mas atenção, nenhuma artéria saudável entope de repente!
Trata-se de um processo progressivo devido ao espessamento das suas paredes por placas de gordura, diminuindo o seu diâmetro progressivamente – eles tornam-se duras e com menor calibre interior, até que entopem!
Um AVC aos 60 anos, começou com as artérias do cérebro a entupir progressivamente durante 10, 20 ou 30 anos! Estudos actuais, realizados em crianças e jovens, demonstraram placas de gordura nas artérias do coração, entre outras! Não são só as artérias do cérebro que entopem – todas as artérias entopem com o passar dos anos se não escolhermos ter hábitos de vida saudáveis!
PENSE NISTO!!
O mais inteligente, em qualquer área da vida, é prevenir o que não queremos, em lugar chorar e tentar remediar o que não prevenimos.
Como diz o ditado, mais vale prevenir do que remediar.
E se adoptarmos um modo de vida saudável, estamos a reduzir drasticamente as possibilidades de ocorrência de um AVC.
Manuela Cerejeira
Médica
medicinadavida22@gmail.com