O QUE NOS DIZ A DIREÇÃO-GERAL DE SAÚDE:
A elevada prevalência das doenças crónicas é um dos principais desafios na área da saúde pública.
Estas doenças são atualmente a principal causa de mortalidade; representara, em 2012, 68% de todas as causas de morte.
Os hábitos alimentares inadequados são um dos quatro principais fatores de risco modificáveis para estas doenças. Em Portugal, de acordo com os dados estimados pelo estudo
Global Burden of Diseases (GBD),
os hábitos alimentares inadequados (19%) surgem como o factor de risco que mais contribui para o total de anos de vida saudável perdidos pela população portuguesa.
Os hábitos alimentares inadequados são um dos principais factores de risco para a obesidade, sendo que de acordo com este mesmo estudo,
a obesidade surge em terceiro lugar (13%) no conjunto de factores que mais contribuem para o total de anos de vida saudável perdidos.
Os hábitos alimentares inadequados incluem
a ingestão excessiva de açúcares, cujo consumo excessivo tem sido
associado ao excesso de peso/obesidade e, consequentemente, ao risco de desenvolvimento de doenças crónicas associadas.
Em Portugal, no período de 2013/2014, a disponibilidade de açúcar per capita foi de 34,4 kg/ano, o que equivale a 94 g/dia - sensivelmente ao dobro do que é recomendado.
As recomendações para não se ultrapassar estes valores de consumo de açúcares simples na alimentação diária relaciona-se com o facto
de as calorias fornecidas pelo açúcar serem consideradas calorias vazias, ou seja, calorias sem nutrientes associados, tais como: vitaminas, minerais, gorduras essenciais, proteínas ou fibras.
Parte do consumo diário de açúcar é realizado através dos refrigerantes, chás aromatizados e néctares. O consumo de refrigerantes aumentou para o dobro entre 1990 e 2012.
Os dados existentes em Portugal sugerem que o consumo de refrigerantes e néctares em crianças está relacionado com a escolaridade - quanto menor a escolaridade dos pais, maior o consumo por parte dos filhos.
Aqueles mesmos dados sugerem que, em crianças com 4 anos de idade, consumos mais elevados de alimentos com elevada densidade energética, onde se incluem os refrigerantes e néctares, estão associados a baixos consumos de fruta e hortícolas e a um padrão alimentar menos saudável.
Ter saúde não é um presente do Pai Natal, é uma escolha que se faz todos os dias - a começar pelo que escolhe comer e beber!!!
Manuela Cerejeira
Médica
medicinadavida22@gmail.com